03/09/2004 22:27
"Interrompida, caiu uma vírgula por aí, minha oração nunca será ouvida. Me perdi no meio dos sentidos.
História escrita a lápis, lápis-borracha para tudo ser mais prático. Escrita de qualquer jeito, torta, em linhas invisíveis. Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam.
Sigo inchada, sigo cheia de coisas para cuspir em você, sigo pontuada por
esses batimentos cardíacos que descem quando te vejo.
(...)
Poesia sem rima porque não somos bregas e a vida sem sentidos e sem encaixe
é a loucura que une nossas doenças. Estrofes com métrica, porque sabemos
exatamente o que queremos, apenas não rimamos para que não exista
cumplicidade.
(...)
Uma redação com margem, tamanho e estilo impostos para você. Um diário sem limites para mim.
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta.
E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras,
esquecendo os títulos. E eu continuo escrevendo seu nome com letras cheias,
para tentar preencher você de alguma maneira. Pra tentar deixar tangível a
sua existência. E principalmente pra poder amassar o papel e jogar no lixo."
(Tatiane Bernardi - colunista da revista TPM www.revistatpm.com.br)
enviada por Ingrid
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